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domingo, 6 de novembro de 2011

As armas que precisamos

Deixemo-nos de falinhas mansas, de julgar tudo e todos, de culpar este ou o próximo. Este tipo de atitude não adianta nem desmente e simplesmente prende-nos ao estado a que chegámos! Sejamos francos, directos, concisos, nem que seja por uma vez na vida... Afinal, vivemos num país velho, num continente velho e parece que nada conseguimos aprender. A corrupção nunca foi tão clara, tão tácita, tão aceite e conformista. Mas o mundo, se calhar também nunca foi tão fútil...

"Ah, santa hipocrisia! A hora chegou, não vê quem não quer. Este mundo está prestes a terminar, agarra-te a ele e com ele ficarás até ao fundo!"

Distribuimos educação como quem quer distribuir gelados, mas não ensinamos as crianças a pensar. Gerações e gerações inteiras de mentes castradas na infância gritam agora impotentes. Esquecemo-nos que o mais importante que podemos ensinar é precisamente o ensinar a pensar, aprender a aprender, criar, inventar, e não circunscrever a imaginação às artes, como se de algo secundário se tratasse. Agora o mundo está em crise e ninguém sabe o que fazer. Ensinaram que para prever o futuro deve-se olhar para trás, e quando nada no passado se assemelha àquilo que agora vivemos, os braços caiem inertes.

Ensinar a pensar, a criar, a aprender, a imaginar, extrapolar, visionar, enfim!

Então, em alturas de crise, ensina-se a poupar, a guardar, acumular o que poderá, eventualmente, vir a fazer falta. Esta não é a altura. Esta não é mais uma crise. Este momento não tem comparação.

As armas que precisamos estão dentro de nós, e tudo o mais é supérfulo!

sábado, 10 de setembro de 2011

O 1º dia de aulas

Chega Setembro e chega o cheiro a livros novos, a ansiedade a crescer, de pais e filhos no início de mais um ano escolar... Já repararam no estado de espírito de uma criança prestes a entrar na primeira classe? É intrigante testemunhar aquele entusiasmo contido da véspera, o nervosismo e a expectativa que caracterizam o encarar do desconhecido. Face ao desconhecido sim, pois ouviu falar na escola "a sério", no ter de estudar e fazer contas, testes e fichas de avaliação, ficar sentado na sala de aula, tudo conceitos estranhos a uma criança de seis anos. Parece que todos os discursos de apaziguamento rapidamente se evaporaram, de repente só se lembra da responsabilidade acrescida, do terror dos trabalhos de casa, do não saber o que significa ser crescido.

E como reagimos nós perante uma situação semelhante, a ansiedade antes de um salto no escuro? Será que conseguimos encarar os novos cenários que a vida nos propõe e às vezes até impõe, com o mesmo entusiasmo que pedimos a uma criança para ter no primeiro dia numa escola nova? Ou será que nos enchemos de dúvidas, negação e pessimismo, recusando tudo aquilo que nos está a ser ofertado com medo da mudança?

Sinceramente, duvido que haja altura na vida mais marcante e cheia de incerteza do que o primeiro dia de escola. Em que já não basta todo o nosso nervosismo, ainda temos o colega do lado a choramingar pela mãe, os pais a entrar e a sair da sala com mil recados para uma professora que consegue ficar ainda mais nervosa do que todos aqueles meninos juntos, perante uma sala cheia de vinte e muitas crianças que nunca viu e cerca de quarenta pais todos a quererem chamar a atenção para o seu mais que tudo, dando mil recados que ninguém se irá recordar... Garanto que a energia e a tensão produzida numa altura destas é tal que bem aproveitada daria para alimentar a electricidade da escola toda só naquela meia-horinha de zun-zun e burburinho...

Quem não tem uma qualquer recordação do seu primeiro dia de escola? Da primeira amizade que se julga ser eterna, das saudades de casa num mundo desconhecido, do aperto no estômago, da carteira, da professora, do recreio?!...

Oxalá consigamos encarar todos os revezes da vida com o mesmo entusiasmo com que um dia encarámos o primeiro dia de escola, com a mesma vontade, com o mesmo optimismo que nos incutiram na altura. Fomos capazes uma vez e voltaremos a ser quantas vezes forem necessárias. E pode ser que no final do dia também exclamemos, aliviados, adoro a escola nova!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Depois da tempestade, vem a bonança

A menina que estava perdida na floresta adormeceu a chorar. Aquele sítio que lhe tinha parecido tão escuro e desconhecido ontem, hoje já não parecia assustar, o sono foi reparador. Assim que acordou e reparou onde estava, não se preocupou com o vestido sujo e amarrotado, nem se lembrou de se pentear. Mais do que isso, apesar de não se lembrar como lá tinha ido parar, também não perdeu muito tempo a pensar nisso. Tinha uma vaga ideia de algo, com a lembrança enevoada de um pesadelo, de que teria corrido, fugido desesperadamente, mas já nem se lembrava bem do quê, nem porquê... Tinha ficado com aquela sensação incómoda e indefinida que os sonhos nos deixam, quando são muito intensos e acabamos de acordar. Foi com essa sensação que ficou, mas rapidamente se desvaneceu ao explorar o mundo onde se encontrava. De repente, nem se questionou onde estava nem o que estava ali a fazer, todo o passado passou a não mais do que isso, um passado. Podia ser seu ou de qualquer outra pessoa, pouco importava. Agora estava aqui, nada mais importava. Foi explorando, com aquela curiosidade contida e divertida que a caracterizava. Foi-se deixando encantar, como se estivesse a viver tudo pela primeira vez.

Na verdade estava, pois nunca tinha estado naquela situação, mas ao invés de chorar e gritar pelo mundo desconhecido que a rodeava, limitou-se a gozar a paisagem. Foi seguindo... nem sempre em frente, mas nunca voltou para trás. Finalmente, a vida tornava-se uma aventura, como nos filmes, como nos desenhos animados, como nos seus sonhos.

Que seja assim com todos nós. Que tenhamos a capacidade de ver para além do óbvio, em cada momento, em cada encruzilhada, a cada dificuldade que nos atravesse o caminho. Porque o amanhã é um outro dia, mas hoje é o amanhã de ontem. Façamos por isso. Comecemos de novo. Nada do que foi importa, nada do que será traz consequências.
Agora é o momento, pois nunca é tarde demais.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Desânimo...

Isto de tirar a alegria de viver a quem sempre se considerou optimista tem que se lhe diga. Não considero o mundo melhor ou pior do que há uns tempos atrás, apenas tenho menos vontade de vivê-lo... Não considero ter sido mais ou menos vítima de injustiça do que o próximo, nem mais nem menos cruel do que o ser humano comum, não me passa pela cabeça que haja alguma cabala o sentido de me de derrotar, nem sequer alvo de tanta atenção que pudesse, num extremo, dar nisso. Simplesmente a minha cabeça começou a funcionar de maneira diferente. Vê aquilo que via, processa a informação que já processava, mas o resultado e a assimilação é diferente. Os pressupostos mudaram, é certo, consequentemente, tudo mudou.

Gostava de voltar a sentir aquela alegria que me contagiava, a sensação de ter uma referência permanente, a arrogância tão característica da juventude, tão absolutamente essencial para lutar pelo nosso bem estar, pelo melhorar do mundo.

Tanta conversa e não me sinto ninguém, escrevo para mim e publico nem sei porquê, porque em tempos meti na cabeça que assim o faria, então assim o faço. Chega uma altura em que me sinto tão perdida que não só não sei onde anda o norte, como desconfio da sua existência, do propósito da procura, da razão da caminhada.

Tem dias que o sol brilha, tem outros que nem por isso. As saudades que tenho de me sentir a brilhar com o sol  nos dias de verão (...), pois agora faz calor lá fora, mas o inverno aqui persiste.

"Sê fiel a ti própria" ouço-me dizer, mas se já nem sei quem sou...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O Chamamento do Guerreiro.

Mesmo que não nos apercebamos, há uma batalha constante, dura e cruel, por vezes até desmoralizante. É uma batalha sim, brutal até, entre a escuridão e a luz.
Para nós ganharmos não poderemos matar ninguém, pois esse será o verdadeiro desafio. Se nos batermos com as regras do inimigo, não seremos nem mais nem menos do que o próprio inimigo. Para que esta guerra seja bem sucedida, as nossas armas não poderão ser as mesmas. Onde não há luz, a escuridão aparece.
Como noutros tempos, resta-nos lutar pela conversão. Quantos mais seres convertermos em seres de luz, menor será a escuridão. Se lutássemos com as armas deles, independentemente de quem ganhasse, a escuridão seria total.
Não nos deixemos contagiar. Temos todos de lutar por um mundo melhor, em que os valores ensinados às crianças sejam os nossos. Estamos todos cansados, empoeirados, apagados. Mas não nos podemos deixar cair. A batalha está a chegar (já chegou), temos de nos preparar!
Sacode as asas, penteia o cabelo, tira toda essa poeira de cima dos ombros.
Vive, que a hora é agora e todos nós vamos ser necessários. Cada um conta, todos somos importantes. A hora de vigiar está a terminar. Está a ficar na hora de abandonar tudo e lembrarmo-nos de quem realmente somos.
Vem, tu e eu somos dois, juntos vamos conquistar o mundo!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Vamos ser verdadeiros.

O assunto do momento é a economia e o estado político do país. Fala-se do défice, da crise, do FMI e da ajuda externa. Discute-se o aumento dos impostos e o descalabro do desemprego. Fala-se das eleições antecipadas e da birra dos dois "meninos" a lutarem pelo poder de um país em ruinas como se tratasse da ultima versão dos beyblade. Fala-se, comenta-se e discute-se que consequências tudo isto poderá ter na nossa vida.

Mas nunca, em ocasião alguma, agora, antes ou depois, ouvi falar sobre oportunidades, sobre o que podemos contribuir, sobre o que realmente tem de ser mudado. Fala-se sobre o que se poderia e deveria ter feito, sobre tudo o que correu mal, e de quem foi e é a culpa de tudo isto. Mas esta não é apenas uma crise política, económica e política, vai também bem além de uma crise social. Esta é uma crise de valores.

Estamos todos no fim de um beco escuro a revirar os restos de caixote do lixo como se fosse essa a unica hipótese que temos. Discutimos tudo o que está mal, mas nunca abordamos as questões sobre um aspecto positivo. As crises existem porque algo está tão erradamente mal (perdoem-me o pleonasmo) que terá forçosamente de mudar. Abanar os pilares da nossa sociedade, e se fôr necessário deitá-los por terra. Já alguém se lembrou de olhar noutra direcção e reparar que no fim da rua há luz? Há toda uma outra vida diferente se assim o quisermos. Só que temos ignorar tudo aquilo que aprendemos e seguir em frente! Ter fé (outra coisa de que ninguém fala e tão importante na equação da felicidade)!

Acreditar que tudo pode ser diferente, se quisermos, se tentarmos, se tivermos coragem de deitar para trás  todos os vícios que fomos ganhando, só porque toda a gente também faz, só porque sim. Teremos de ter a coragem de ser exemplares, exemplarmente correctos, fiéis nós próprios e ao outro - que não é mais do que um outro "eu" nesta enorme teia da Humanidade. 
Não nos esqueçamos nunca que podemos e fazemos a diferença, que com cada acto contagiamos, e somos responsáveis, devendo ficar orgulhosos desses contágio. Vamo-nos contagiar com alegria, empenho e verdade. Vamos realmente construir um futuro melhor, diferente daquele em que agora vivemos.

E sabem que mais? Agora é o momento. Agora em que tudo o que é podre cai, que tudo o que é corrupto aparece à luz do dia, em que parece que nada é verdadeiro. Vamo-nos atrever a marcar a diferença. Eu sou eu, tu és tu, nenhum de nós tem de ser igual ao outro. Vamo-nos destacar pela positiva, pelo que temos de melhor. Vamos fazer deste um lugar melhor,um dia de cada vez.

quarta-feira, 23 de março de 2011

A Pedra e a Água

-Sobre a Crise-

            Estamos em crise, sim estamos. Estou eu, estás tu, está a vizinha do 1ºEsq. que perdeu o emprego e o Sr. Manel da oficina que já quase não tem clientes. Portugal também. A crise é política, financeira e até linguística - com o novo acordo ortográfico  ninguém se entende. Está a Europa e o Euro, o Norte de África com as revoluções, a Ásia assiste à recente catástrofe no Japão. O mundo está em crise, e eu também.
            Não posso mudar o mundo todo (nem sei bem o que faria se pudesse), pois o mundo são as pessoas e essas não gostam mesmo nada de mudanças. Não gostam de mudanças no emprego “que ninguém me dá valor”, nem de casa “é só caixotes - não me volto a meter noutra”, nem sequer do tempo “esta humidade dá-me cabo da artrite”. Como podemos mudar o mundo sem que as pessoas mudem? Simples: não podemos!
            Mesmo assim, somos sempre tentados a mudar os outros, afinal eles é que estão mal! “Eles é que se queixam da vida o tempo todo, só sabem olhar para o umbigo. E os políticos? São todos iguais, nem vale a pena votar. Este país está todo desgraçado... lá fora é que é bom, não admira que haja tanta emigração.”
            Pois é, mas “nós” somos os outros de alguém, assim como “eles” são os nossos outros. Difícil mesmo é admitir isto, admitir que se tivéssemos a vida do vizinho do lado, ao contrário do que queremos apregoar, não íamos ser mais felizes. Por uma razão muito simples, eu continuava a ser eu, tu continuavas a ser tu, e por mais que mudassem as circunstâncias à nossa volta, isso permaneceria imutável. A nossa pessoa, a nossa essência, não muda conforme o ambiente em que está, não muda conforme o que tem. Aliás, por norma, somos de tal forma casmurros que só mudamos algo em nós quando somos realmente obrigados a tal e mesmo assim com relutância. Isto acontece perante alguma forte adversidade da vida, um problema de saúde grave, a perda de alguém chegado ou mesmo uma crise generalizada.
            Quando tudo o que conhecemos, como conhecemos, deixa de fazer sentido. Quando o certo é tomado pelo incerto e na generalidade não fazemos a mais pequena ideia como as coisas estarão amanhã, ou no dia seguinte, somos forçados a pensar.
Ora bem, estava eu embrenhada nestes pensamentos e nas contradições que preenchem o meu dia-a-dia, a pensar porque é que numa altura em que o país precisa de se unir parece que parte tudo em debandada (os jovens qualificados emigram e vão apostar o futuro num país que não é deles, os partidos políticos em vez de se unirem em prol do bem comum, insistem em puxar cada um para o seu lado) quando percebi, de forma clara, o que se estava a passar.
            Acho que é do consenso comum que, quando acontece uma crise, é por que algo está mal, algo precisa de ser mudado, desesperadamente. A mudança necessária pode vir como uma onda suave, as pedras que se encontram à beira mar aceitam o seu movimento e deslocam-se seguindo as indicações da onda, formando um novo padrão, uma nova praia. Mas quando a resistência à mudança é grande, quando as pedras resistem em massa a sair do seu lugar, a natureza, de forma a cumprir os seus propósitos, vê-se obrigada a ser mais firme, impetuosa até. Assim estamos nós. Podemos ser a água que tudo muda e transforma, dando o nosso contributo para as mudanças necessárias, sugerindo, empurrando, evoluindo na nossa forma de ser, tentando transformar o pouco que nos é pedido e que nos rodeia. Ou podemos ser a pedra, pesada e impermeável, não permitindo qualquer alteração na nossa vida, encarando o movimento e as alterações à nossa volta com contrariedade, o chamado “ou vai ou racha” (por vezes racha).
             Mas há algo que não podemos fazer, de forma alguma. Não podemos querer ser a água comportando-nos como uma pedra. Não podemos querer mudar os outros sem nos mudarmos a nós próprios primeiro. A pedra não tem, nem nunca terá a fluidez e a ondulação da água, e estejamos certos: a pedra não desloca a água, apenas a água tem a capacidade de tirar a pedra do seu lugar de conforto.
            Tenho de fazer a pergunta: sou a pedra ou a água? Que faço eu no dia-a-dia que me classifique como um ou outro? Que posso eu fazer para ser a água? Que podemos fazer para mudar?
            Podemos tentar ver a nossa vida com outros olhos. Fazer opções diárias pela nossa felicidade, e não por aquilo que nos incutiram ser bom para nós. O nosso objectivo de vida é sermos felizes, certo? Então porque estou a tentar manter um emprego que me deixa infeliz? Devia estar a procurar outro tipo de oportunidades, fazer um plano (nem que seja a cinco anos) para alcançar aquilo que pretendo. Porque dispenso tanto tempo do meu dia a pensar em coisas que me aborrecem, me deixam triste e deprimida? Ao invés prometo que darei atenção a pelo menos 5 coisas por dia que me deixem feliz (1- hoje está sol; 2 - o sorriso dos meus filhos; 3 - o bolo de chocolate que comi (ou queria ter comido); 4 - a musica que não me sai da cabeça; 5 – as flores que comprei há 15 dias e ainda não murcharam). Porque tento agradar a pessoas de quem não gosto especialmente? Para compensar, hoje vou ligar a um amigo com quem já não falo a algum tempo. São pequenos os gestos que nos alteram o humor, a maneira de encarar a vida um dia de cada vez. Faço aqui o compromisso de traçar objectivos para cada um dos dias, tornando o “meu mundo” um pouco melhor irei, inevitavelmente e sem reparar, alterar um pouco também “o mundo” dos que me são mais próximos. Pouco a pouco faremos uma onda, uma suave onda de mudança. Pode ser que assim “a crise” nos passe um pouco mais ao lado, ou pelo menos não lhe demos a mesma importância....
            Mas sabem que mais? Aquilo que agora nos parece o fim do mundo, o próprio do Apocalipse, acontece todos os anos, ciclicamente. Todos os anos assistimos às marés vivas no final do verão, que limpam e transformam a geografia das praias, encurtando a sua extensão, tirando a areia e expondo o esqueleto das rochas, eliminando em grande parte todo aquele areal onde nos deliciámos, correndo e jogando à bola durante o verão. As ondas cavalgam para dentro de terra, atacam até as construções mais próximas fazendo estragos. Mas nem mesmo depois do inverno mais rigoroso ou das ondas mais fortes, independentemente dos avanços que o mar possa ter feito, deixou alguma vez de haver Verão!