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domingo, 6 de novembro de 2011

As armas que precisamos

Deixemo-nos de falinhas mansas, de julgar tudo e todos, de culpar este ou o próximo. Este tipo de atitude não adianta nem desmente e simplesmente prende-nos ao estado a que chegámos! Sejamos francos, directos, concisos, nem que seja por uma vez na vida... Afinal, vivemos num país velho, num continente velho e parece que nada conseguimos aprender. A corrupção nunca foi tão clara, tão tácita, tão aceite e conformista. Mas o mundo, se calhar também nunca foi tão fútil...

"Ah, santa hipocrisia! A hora chegou, não vê quem não quer. Este mundo está prestes a terminar, agarra-te a ele e com ele ficarás até ao fundo!"

Distribuimos educação como quem quer distribuir gelados, mas não ensinamos as crianças a pensar. Gerações e gerações inteiras de mentes castradas na infância gritam agora impotentes. Esquecemo-nos que o mais importante que podemos ensinar é precisamente o ensinar a pensar, aprender a aprender, criar, inventar, e não circunscrever a imaginação às artes, como se de algo secundário se tratasse. Agora o mundo está em crise e ninguém sabe o que fazer. Ensinaram que para prever o futuro deve-se olhar para trás, e quando nada no passado se assemelha àquilo que agora vivemos, os braços caiem inertes.

Ensinar a pensar, a criar, a aprender, a imaginar, extrapolar, visionar, enfim!

Então, em alturas de crise, ensina-se a poupar, a guardar, acumular o que poderá, eventualmente, vir a fazer falta. Esta não é a altura. Esta não é mais uma crise. Este momento não tem comparação.

As armas que precisamos estão dentro de nós, e tudo o mais é supérfulo!

domingo, 7 de agosto de 2011

Viver com criatividade

Como continuação ao post anterior, devo dizer que tenho um objectivo muito claro, ao dar toda esta importância à criatividade.
Existe uma crença estabelecida de que "criativos" são os artistas, consequentemente, os artistas não fazem dinheiro, logo, o ideal é esquecermos essa história, pois não têm qualquer futuro profissional assegurado.

Mas a criatividade deveria fazer parte de cada um de nós. A capacidade de questionar tudo e todos, tem tendência em se exacerbar com a adolescência e morrer com ela. Como se fosse quase um patrocínio desta fase da vida. Quem questiona o estabelecido já na idade adulta, é considerado de louco, como se a maioria da população fosse constituída por puros génios, cujas cabeças produzem conceitos inquestionáveis.
Todos sabemos que não é assim. Que muitas das regras/procedimentos estabelecidos na sociedade de hoje parecem ter sido concebidos por mentecaptos, mas ninguém as questiona. A sério, não estou a exagerar mesmo, alguém percebe porque é que alguém com um seguro de saúde privado, que descontou toda a vida para o sistema nacional de saúde, é preterido quando resolve aceder àquilo que sempre teve direito e nunca usufruiu? Alguém consegue entender porque é que a Segurança Social sabe sempre o que temos em dívida, mas nunca faz acertos se pagamos em excesso? Alguém entende porque é que  quem infringe a lei e vai preso, não tem de trabalhar como o comum dos mortais, mas pelo contrário, é-lhe oferecida comida e tecto a custo zero?
Estas são algumas pequenas coisas, das muitíssimas que a meu ver não fazem qualquer sentido, mas ao mesmo tempo ninguém questiona. Era tudo, muito mais do que isto, que merecia ser repensado, analisado e reestruturado. Mas para isso, precisamos criar/educar seres pensantes, que questionem o estabelecido, abram asas à imaginação e não sejam automaticamente castrados por quem os rodeia, dando-lhes a liberdade para tornarem esta numa sociedade mais justa, mais adequada às necessidades de quem a serve.

Educação e Criatividade

Hoje em dia fala-se muito em educação, no papel das escolas, nos resultados dos testes. Nos pais que não têm tempo, na média das notas, no acordo  ortográfico, no que fazer com as crianças nas férias, na inevitável compra de fichas para não se esquecerem de estudar. Damos (aliás, continuamos a dar) sobeja importância às notas que eles têm, como se fosse atestado da sua inteligência. Será que alguém se esqueceu o que se dá na escola?? Nós que somos pais, e também fomos filhos e alunos, não nos conseguimos lembrar do tipo de ensino que temos? Existem diferenças, claro; é mais difícil um aluno ser mandado para a rua ou ter uma falta disciplinar, nenhum professor usa régua de madeira a não ser para medir algo e os meninos não chumbam, mesmo que não tenham aprendido nada.
Mas a base educativa é relativamente semelhante, ensinam-se ideias feitas, conceitos decorados e nem as aulas das chamadas artes têm qualquer carácter criativo. Ensinam-nos para serem carneirinhos, não pensar, aceitar sem discutir - afinal, as coisas são assim porque são.
Mas será que alguém acredita que esta é a maneira certa de fazer as coisas? Porque não se deve ensinar as crianças e os jovens a pensarem por si próprios? Dá trabalho, dá mesmo muito trabalho. Se hoje é complicado convencermos alguém a ver a sua vida de outra perspectiva, a tentar dar a volta a uma situação de desemprego, a acreditar em si e no seu potencial (mesmo que não seja jovem, pois existe a crença instalada de que potencial é algo do domínio dos jovens), temos de aprender a relevar, a perceber que esta cultura de fatalismo está enraizada em nós, que não só aceitámos que assim fosse, como continuamos a fazer o mesmo com os nossos filhos.
Há que estimular a criatividade, o pensamento autónomo, dar armas de raciocínio e argumentação. É de pequenino que se torce o pepino, é de pequenino que se ensina a pensar. E isto torna o meu papel de mãe muito mais difícil, pois ensino-o a desafiar e argumentar, a questionar e dar valor às suas opiniões, mesmo que eu as considere absurdas, e, no meio de tudo isto, manter a autoridade. Mas também transforma esta relação de pais/filhos muito mais produtiva e enriquecedora, pois ponho-me no papel de aluno constantemente, e digno-me a aprender com ele, se calhar até mais do que ele aprende comigo.