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domingo, 6 de novembro de 2011

As armas que precisamos

Deixemo-nos de falinhas mansas, de julgar tudo e todos, de culpar este ou o próximo. Este tipo de atitude não adianta nem desmente e simplesmente prende-nos ao estado a que chegámos! Sejamos francos, directos, concisos, nem que seja por uma vez na vida... Afinal, vivemos num país velho, num continente velho e parece que nada conseguimos aprender. A corrupção nunca foi tão clara, tão tácita, tão aceite e conformista. Mas o mundo, se calhar também nunca foi tão fútil...

"Ah, santa hipocrisia! A hora chegou, não vê quem não quer. Este mundo está prestes a terminar, agarra-te a ele e com ele ficarás até ao fundo!"

Distribuimos educação como quem quer distribuir gelados, mas não ensinamos as crianças a pensar. Gerações e gerações inteiras de mentes castradas na infância gritam agora impotentes. Esquecemo-nos que o mais importante que podemos ensinar é precisamente o ensinar a pensar, aprender a aprender, criar, inventar, e não circunscrever a imaginação às artes, como se de algo secundário se tratasse. Agora o mundo está em crise e ninguém sabe o que fazer. Ensinaram que para prever o futuro deve-se olhar para trás, e quando nada no passado se assemelha àquilo que agora vivemos, os braços caiem inertes.

Ensinar a pensar, a criar, a aprender, a imaginar, extrapolar, visionar, enfim!

Então, em alturas de crise, ensina-se a poupar, a guardar, acumular o que poderá, eventualmente, vir a fazer falta. Esta não é a altura. Esta não é mais uma crise. Este momento não tem comparação.

As armas que precisamos estão dentro de nós, e tudo o mais é supérfulo!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A crise, outra vez a crise.

Acho engraçado quando se diz que a crise que afectou Portugal, a Irlanda e a Grécia se pode espalhar a outros países como a Espanha ou a Itália, como se fosse não mais do que uma gripe que pode ser contagiosa a quem estiver mais perto.
Também não entendo a forma como esta Europa foi formada, começando pelo fim. Ou seja, dando primeiro uma uniformização de moeda única a quem não tem mais nada em comum - nem política fiscal, nem económica, nada. Aquilo que deveria ser uma consolidação de uniformização, de políticas, economia, direitos e governação, foi implementado antes de qualquer medida ter sido tomada neste sentido. Sem uma política global comum, sem nada, deram-nos uma moeda única e ficámos todos contentes, porque isso tornáva-nos mais fortes sem que que perdêssemos a individualidade de cada país, mesmo sem fronteiras, mantínhamos a sensação de patriotismo. Os ventos estavam de feição e as coisas não correram mal durante os primeiros tempos. Mas não sendo uma medida estruturada e apoiada por uma série de outras, mais cedo ou mais tarde estava condenado a sofrer os seus revés.

Quanto a esta suposta crise económica, parece que estamos todos cegos ou não nos querem deixar ver... Ora acompanhem-me lá neste raciocínio: o problema estrutural dos países em crise é o gastarem mais do que aquilo que produzem, e isso acontece porque há uma corrupção instalada, uma falta de ética estrutural a nível de quem governa. Esta falta de ética até pode ser apenas moderada, mas coloca os interesses pessoais acima dos interesses globais, tira isenção às decisões tomadas, reflete-se em dinheiros mal gastos, que se repercute em subidas de impostos pelos excessos cometidos, aumento de uma dívida que ninguém quer saber quem vai pagar, porque quando fôr altura de isso acontecer já nem sequer vão estar no poder.

Como é que se pode considerar que isto pode ser contagioso? Será uma guerra de vizinhos, se tu tens XPTO eu quero um XPTO+Y? E assim andamos numa escalada infantil de: "a minha dívida é maior do que a tua". Não será mesmo uma falta de ética na política em geral que nos trouxe ao que estamos hoje? Será que é mesmo no contrair mais dívida para se pagar a dívida antiga (ou apenas os juros) que está a solução? Pois estas são as únicas medidas que temos visto...

Será que é esta falta de ética intrínseca que é considerada como uma gripe que se pega? Ou será que é todo o sistema que está a precisar de uma reforma? Não só o sistema económico, pois isso é flagrante, mas a própria Europa e os regimes actuais, a tão defendida democracia, será mesmo o melhor que conseguimos fazer? Se por um lado limitamos o poder pelas eleições regulares, por outro desresponsabilizamos quem fica no poder por saber que esse poder é limitado. Isto está mais do que comprovado pela história recente, está longe de ser um sistema justo, apetecível.

E o que se faz perante este cenário de desgraça global? Nada, ou, de preferência, muito pouco. Soluções remediadas em vez de medidas activas, pois quem está no poder não quer arriscar o pescoço e quem não está sente-se muito à vontade para dar bitaites sem qualquer carácter construtivo. Tudo está estruturalmente desequilibrado. Se, para avançar com uma solução, uma decisão, é preciso que não sei quantos partidos políticos com agendas muito próprias e um eleitorado para agradar as aprove, ou pior ainda, se peça a opinião de toda uma população que não tem a capacidade ou informação necessária para analisar e decidir, então dificilmente avançaremos. As decisões têm de ser tomadas por quem sabe, a quem tenha sido decretada uma idoneidade e capacidade de visão indiscutíveis. Uma ou várias (poucas) pessoas com estas características que possam - não levar o país para a frente como tão comummente se diz - mas mudar tudo o que está intrinsecamente mal na sociedade que hoje vivemos.

Mudar estruturalmente a União Europeia, torná-la mais forte através de alinhamentos políticos, económicos, mas também humanitários. Uniformizando leis e medidas, centralizando as decisões, estabelecendo governos autónomos, porque somos países diferentes, com identidades diferentes, mas podemos estar todos unidos em prol de um bem comum. Não apenas uma moeda comum, mas com objectivos comuns, redesenhando o planeta, respeitando culturas, ajudando quem precisa, diminuindo a base do triângulo. Vamos acreditar que este é o futuro e permitir que assim aconteça.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Vamos ser verdadeiros.

O assunto do momento é a economia e o estado político do país. Fala-se do défice, da crise, do FMI e da ajuda externa. Discute-se o aumento dos impostos e o descalabro do desemprego. Fala-se das eleições antecipadas e da birra dos dois "meninos" a lutarem pelo poder de um país em ruinas como se tratasse da ultima versão dos beyblade. Fala-se, comenta-se e discute-se que consequências tudo isto poderá ter na nossa vida.

Mas nunca, em ocasião alguma, agora, antes ou depois, ouvi falar sobre oportunidades, sobre o que podemos contribuir, sobre o que realmente tem de ser mudado. Fala-se sobre o que se poderia e deveria ter feito, sobre tudo o que correu mal, e de quem foi e é a culpa de tudo isto. Mas esta não é apenas uma crise política, económica e política, vai também bem além de uma crise social. Esta é uma crise de valores.

Estamos todos no fim de um beco escuro a revirar os restos de caixote do lixo como se fosse essa a unica hipótese que temos. Discutimos tudo o que está mal, mas nunca abordamos as questões sobre um aspecto positivo. As crises existem porque algo está tão erradamente mal (perdoem-me o pleonasmo) que terá forçosamente de mudar. Abanar os pilares da nossa sociedade, e se fôr necessário deitá-los por terra. Já alguém se lembrou de olhar noutra direcção e reparar que no fim da rua há luz? Há toda uma outra vida diferente se assim o quisermos. Só que temos ignorar tudo aquilo que aprendemos e seguir em frente! Ter fé (outra coisa de que ninguém fala e tão importante na equação da felicidade)!

Acreditar que tudo pode ser diferente, se quisermos, se tentarmos, se tivermos coragem de deitar para trás  todos os vícios que fomos ganhando, só porque toda a gente também faz, só porque sim. Teremos de ter a coragem de ser exemplares, exemplarmente correctos, fiéis nós próprios e ao outro - que não é mais do que um outro "eu" nesta enorme teia da Humanidade. 
Não nos esqueçamos nunca que podemos e fazemos a diferença, que com cada acto contagiamos, e somos responsáveis, devendo ficar orgulhosos desses contágio. Vamo-nos contagiar com alegria, empenho e verdade. Vamos realmente construir um futuro melhor, diferente daquele em que agora vivemos.

E sabem que mais? Agora é o momento. Agora em que tudo o que é podre cai, que tudo o que é corrupto aparece à luz do dia, em que parece que nada é verdadeiro. Vamo-nos atrever a marcar a diferença. Eu sou eu, tu és tu, nenhum de nós tem de ser igual ao outro. Vamo-nos destacar pela positiva, pelo que temos de melhor. Vamos fazer deste um lugar melhor,um dia de cada vez.

quarta-feira, 23 de março de 2011

A Pedra e a Água

-Sobre a Crise-

            Estamos em crise, sim estamos. Estou eu, estás tu, está a vizinha do 1ºEsq. que perdeu o emprego e o Sr. Manel da oficina que já quase não tem clientes. Portugal também. A crise é política, financeira e até linguística - com o novo acordo ortográfico  ninguém se entende. Está a Europa e o Euro, o Norte de África com as revoluções, a Ásia assiste à recente catástrofe no Japão. O mundo está em crise, e eu também.
            Não posso mudar o mundo todo (nem sei bem o que faria se pudesse), pois o mundo são as pessoas e essas não gostam mesmo nada de mudanças. Não gostam de mudanças no emprego “que ninguém me dá valor”, nem de casa “é só caixotes - não me volto a meter noutra”, nem sequer do tempo “esta humidade dá-me cabo da artrite”. Como podemos mudar o mundo sem que as pessoas mudem? Simples: não podemos!
            Mesmo assim, somos sempre tentados a mudar os outros, afinal eles é que estão mal! “Eles é que se queixam da vida o tempo todo, só sabem olhar para o umbigo. E os políticos? São todos iguais, nem vale a pena votar. Este país está todo desgraçado... lá fora é que é bom, não admira que haja tanta emigração.”
            Pois é, mas “nós” somos os outros de alguém, assim como “eles” são os nossos outros. Difícil mesmo é admitir isto, admitir que se tivéssemos a vida do vizinho do lado, ao contrário do que queremos apregoar, não íamos ser mais felizes. Por uma razão muito simples, eu continuava a ser eu, tu continuavas a ser tu, e por mais que mudassem as circunstâncias à nossa volta, isso permaneceria imutável. A nossa pessoa, a nossa essência, não muda conforme o ambiente em que está, não muda conforme o que tem. Aliás, por norma, somos de tal forma casmurros que só mudamos algo em nós quando somos realmente obrigados a tal e mesmo assim com relutância. Isto acontece perante alguma forte adversidade da vida, um problema de saúde grave, a perda de alguém chegado ou mesmo uma crise generalizada.
            Quando tudo o que conhecemos, como conhecemos, deixa de fazer sentido. Quando o certo é tomado pelo incerto e na generalidade não fazemos a mais pequena ideia como as coisas estarão amanhã, ou no dia seguinte, somos forçados a pensar.
Ora bem, estava eu embrenhada nestes pensamentos e nas contradições que preenchem o meu dia-a-dia, a pensar porque é que numa altura em que o país precisa de se unir parece que parte tudo em debandada (os jovens qualificados emigram e vão apostar o futuro num país que não é deles, os partidos políticos em vez de se unirem em prol do bem comum, insistem em puxar cada um para o seu lado) quando percebi, de forma clara, o que se estava a passar.
            Acho que é do consenso comum que, quando acontece uma crise, é por que algo está mal, algo precisa de ser mudado, desesperadamente. A mudança necessária pode vir como uma onda suave, as pedras que se encontram à beira mar aceitam o seu movimento e deslocam-se seguindo as indicações da onda, formando um novo padrão, uma nova praia. Mas quando a resistência à mudança é grande, quando as pedras resistem em massa a sair do seu lugar, a natureza, de forma a cumprir os seus propósitos, vê-se obrigada a ser mais firme, impetuosa até. Assim estamos nós. Podemos ser a água que tudo muda e transforma, dando o nosso contributo para as mudanças necessárias, sugerindo, empurrando, evoluindo na nossa forma de ser, tentando transformar o pouco que nos é pedido e que nos rodeia. Ou podemos ser a pedra, pesada e impermeável, não permitindo qualquer alteração na nossa vida, encarando o movimento e as alterações à nossa volta com contrariedade, o chamado “ou vai ou racha” (por vezes racha).
             Mas há algo que não podemos fazer, de forma alguma. Não podemos querer ser a água comportando-nos como uma pedra. Não podemos querer mudar os outros sem nos mudarmos a nós próprios primeiro. A pedra não tem, nem nunca terá a fluidez e a ondulação da água, e estejamos certos: a pedra não desloca a água, apenas a água tem a capacidade de tirar a pedra do seu lugar de conforto.
            Tenho de fazer a pergunta: sou a pedra ou a água? Que faço eu no dia-a-dia que me classifique como um ou outro? Que posso eu fazer para ser a água? Que podemos fazer para mudar?
            Podemos tentar ver a nossa vida com outros olhos. Fazer opções diárias pela nossa felicidade, e não por aquilo que nos incutiram ser bom para nós. O nosso objectivo de vida é sermos felizes, certo? Então porque estou a tentar manter um emprego que me deixa infeliz? Devia estar a procurar outro tipo de oportunidades, fazer um plano (nem que seja a cinco anos) para alcançar aquilo que pretendo. Porque dispenso tanto tempo do meu dia a pensar em coisas que me aborrecem, me deixam triste e deprimida? Ao invés prometo que darei atenção a pelo menos 5 coisas por dia que me deixem feliz (1- hoje está sol; 2 - o sorriso dos meus filhos; 3 - o bolo de chocolate que comi (ou queria ter comido); 4 - a musica que não me sai da cabeça; 5 – as flores que comprei há 15 dias e ainda não murcharam). Porque tento agradar a pessoas de quem não gosto especialmente? Para compensar, hoje vou ligar a um amigo com quem já não falo a algum tempo. São pequenos os gestos que nos alteram o humor, a maneira de encarar a vida um dia de cada vez. Faço aqui o compromisso de traçar objectivos para cada um dos dias, tornando o “meu mundo” um pouco melhor irei, inevitavelmente e sem reparar, alterar um pouco também “o mundo” dos que me são mais próximos. Pouco a pouco faremos uma onda, uma suave onda de mudança. Pode ser que assim “a crise” nos passe um pouco mais ao lado, ou pelo menos não lhe demos a mesma importância....
            Mas sabem que mais? Aquilo que agora nos parece o fim do mundo, o próprio do Apocalipse, acontece todos os anos, ciclicamente. Todos os anos assistimos às marés vivas no final do verão, que limpam e transformam a geografia das praias, encurtando a sua extensão, tirando a areia e expondo o esqueleto das rochas, eliminando em grande parte todo aquele areal onde nos deliciámos, correndo e jogando à bola durante o verão. As ondas cavalgam para dentro de terra, atacam até as construções mais próximas fazendo estragos. Mas nem mesmo depois do inverno mais rigoroso ou das ondas mais fortes, independentemente dos avanços que o mar possa ter feito, deixou alguma vez de haver Verão!