"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. "
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
Pegando neste comentário que aqui deixaram, e desde já agradeço a quem o fez.
É claro que, tal como o autor, toda esta afirmação é de uma poética e romantismo infindável. Porém, gostava de acrescentar algo que aqui não foi tocado.
É claro que, tal como o autor, toda esta afirmação é de uma poética e romantismo infindável. Porém, gostava de acrescentar algo que aqui não foi tocado.
Sem dúvida alguma que o que nos traz felicidade está longe de ser aquilo que temos ou somos capazes de comprar, embora a sociedade actual teime em insistir o contrário e somos constantemente bombardeados com esse tipo de informação que não faz sentido algum; ninguém fica realmente mais feliz por se tornar rico de repente, embora todos queiramos achar que sim.
O que nos traz a felicidade, o que ao fim do dia conta na balança quando equacionamos se somos felizes ou não, é sobretudo aquilo que sentimos. A condição económica poderá trazer, na melhor das hipóteses, contentamento, mas nunca alegria, a felicidade de sermos quem somos.
Este é um campo altamente subjectivo e do completo domínio das emoções. Podem estar duas pessoas a viver exactamente o mesmo momento e apenas uma sentir a total arrebatação e intensidade que o momento evoca. Nem sempre somos correspondidos, nem nas nossas expectativas (pois isso é óbvio), nem nos nossos sentimentos. Mas sabem que mais (?), do meu ponto de vista isso não invalida nada. Quem sentiu, sentiu. Pobre daquele que não conseguiu fazê-lo, que não conseguiu desligar-se daquilo que é, entregando-se por completo. Não é por não sermos correspondidos, uma e outra vez, que vamos deixar de investir. Não é por isso que os momentos deixaram de existir ou eclipsaram a sua intensidade. Nós estávamos lá, sentimos e isso tornou-nos mais felizes, passou a fazer parte da nossa história como pessoa. Nós continuamos cá, continuamos a levar com as ondas de frente, sem medos, mais rebolão menos rebolão, engolindo a dose que fôr necessária de água salgada, certos de que, ao final do dia, continuaremos vivos (com mais ou menos areia no fato de banho), fomos à luta. Sofremos, gozámos, entregámo-nos. Enfim, vivemos e permitimo-nos a chance de sermos felizes. Poderemos dizer o mesmo de quem opta por viver na bancada, olhando o mar de longe sem se atrever a experimentar a água que o chama? Eu vou à luta, e tu?