Às vezes é tão difícil encontrar com quem conversar, conversas a sério, não sobre o tempo, a moda, a actualidade e a vida dos outros. O nosso dia-a-dia fica preenchido de pequenos nadas que nada significam, pois nada do que dizemos ou nos respondem acrescenta seja o que fôr à nossa existência. São conversas ocas, umas a seguir às outras, em que nos defendemos afincadamente com muros de futilidades, "longe de mim mostrar quem sou", o que diriam...
É este mundo, em que até assuntos tão corriqueiros como a política são abordados com pezinhos de lã, que me rodeia, e assim só me consigo sentir cada vez mais só, rodeada de uma e outra multidão. Porque fazemos isto a nós próprios? Porque não nos achamos realmente dignos de interesse? Porque é tão difícil furar a crosta de que nos cobrimos, tentar achar o verdadeiro "eu" do outro? Porque insistimos em não nos mostrar como verdadeiramente somos? Não somos todos iguais? Não procuramos todos o mesmo? A comunicação já é suficientemente complicada sem todas estas artimanhas. No meio de todas estas ilhas em que insistimos nos tornar, as novas tecnologias permitem uma nova abordagem a tudo isto... Permitem sim, fingir quem não somos, escudarmo-nos através de ferramentas que nos distanciam, mas permitem muito mais do que isso...
A mim, permite-me dizer o que me vai na alma, desabafar com o vazio. Dizer o que quero e o que sinto sem ser incómodo para ninguém... porque só lê quem quer, só acompanha quem tem vontade, só comenta quem quer participar nesta conversa, que não se pretende um discurso, mas sim um diálogo. Por isso, obrigada. Porque quem lê e volta, concerteza se revê, num ou noutro aspecto. E assim vamo-nos fazendo companhia...