Mostrar mensagens com a etiqueta comunicação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta comunicação. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Uma conversa.

Às vezes é tão difícil encontrar com quem conversar, conversas a sério, não sobre o tempo, a moda, a actualidade e a vida dos outros. O nosso dia-a-dia fica preenchido de pequenos nadas que nada significam, pois nada do que dizemos ou nos respondem acrescenta seja o que fôr à nossa existência. São conversas ocas, umas a seguir às outras, em que nos defendemos afincadamente com muros de futilidades, "longe de mim mostrar quem sou", o que diriam...
É este mundo, em que até assuntos tão corriqueiros como a política são abordados com pezinhos de lã, que me rodeia, e assim só me consigo sentir cada vez mais só, rodeada de uma e outra multidão. Porque fazemos isto a nós próprios? Porque não nos achamos realmente dignos de interesse? Porque é tão difícil furar a crosta de que nos cobrimos, tentar achar o verdadeiro "eu" do outro? Porque insistimos em não nos mostrar como verdadeiramente somos? Não somos todos iguais? Não procuramos todos o mesmo? A comunicação já é suficientemente complicada sem todas estas artimanhas. No meio de todas estas ilhas em que insistimos nos tornar, as novas tecnologias permitem uma nova abordagem a tudo isto... Permitem sim, fingir quem não somos, escudarmo-nos através de ferramentas que nos distanciam, mas permitem muito mais do que isso...

A mim, permite-me dizer o que me vai na alma, desabafar com o vazio. Dizer o que quero e o que sinto sem ser incómodo para ninguém... porque só lê quem quer, só acompanha quem tem vontade, só comenta quem quer participar nesta conversa, que não se pretende um discurso, mas sim um diálogo. Por isso, obrigada. Porque quem lê e volta, concerteza se revê, num ou noutro aspecto. E assim vamo-nos fazendo companhia...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O nosso caminho, não é só nosso!

Quantas vezes não tomamos opções só porque nos apetece? Ou só porque achamos que não faz mal? Afinal, a vida é minha, faço o que quero, certo? - errado. A vida é nossa sim, mas não é só nossa. Toda a gente, se pensar um bocadinho, sabe disso. Tu o que fazemos, ou optamos por não fazer, influencia activamente a vida de quem nos rodeia, independentemente da vida que levamos, das pessoas com quem nos damos, com quem nos cruzamos no dia-a-dia. Por mais eremitas que tentemos ser (e hoje em dia ninguém é verdadeiramente, pois o mundo não é suficientemente grande para isso), nunca, em ocasião alguma podemos ter a ousadia, o desplante, a irresponsabilidade de reclamar a nossa vida como apenas nossa. Tal afrontamento não passa de uma ilusão.

Sabemos disso todos nós, sabe muitíssimo bem quem tem filhos.
Podem ser mínimos, ou crescidos e já terem saído de casa. Podem ser chegados ou desligados, carinhosos e meiguinhos ou em plena crise de independência e adolescência. Os filhos são filhos, são parte de nós. Quando escolhemos, seja o que fôr, é uma escolha que irá, inevitavelmente afectá-los. Mesmo que não saibam ler o que escrevemos, mesmo que não percebam o que dizemos, mesmo que não estejam presentes quando discutimos. A nossa prole é parte de nós, tudo o um dia nós fomos como crianças terá influência na infância dos filhos que iremos ter. Toda a nossa rebeldia na adolescência tomará um lugar na sua formação como pessoa. Toda a nossa consciência ou falta dela é reflectida no ser humano que sai de dentro de nós.

Eles são únicos sim, mas são parte de nós também, parte de mim e de ti. Loucos são aqueles que pensam, julgam, imaginam, que qualquer acto não terá influência neles, que isto ou aquilo poderá ser-lhes omitido. Aquilo que nos une é demasiado, os laços de sangue, de convivência, de responsabilidade foram feitos e não podem ser desfeitos. Não só porque queremos, porque só agora, durante este bocadinho, dava jeito.

Como se arca, se vive com esta responsabilidade? Se conseguires conviver contigo, consegues conviver com a influência que possas ter neles, quer queiras, quer não. Se conseguirmos viver bem connosco, com aquilo que somos, então estaremos sempre de bem com aquilo em que se irão transformar. São, verdadeiramente, o nosso legado.

O Pensamento

“Se estás à espera que responda sem pensar, o melhor é perguntares a outra pessoa.”
Foi nesta resposta, dada tão prontamente que nem de mim parecia sair, que me pus a pensar. Sempre fui considerada cabeça no ar, distraída, com falta de memória. Nunca debito a informação tal qual me é passada, por mais linear que seja. Isto tem uma razão de ser: eu penso! Não só às vezes, mas continuamente, como qualquer ser humano. Esta afirmação pode parecer um pouco inusitada, mas tem razão de ser.
A verdade é esta, estou continuamente a pensar, e cada pessoa foca automaticamente e inconscientemente os seus pensamentos nos seus focos de interesse, ou, por outro lado, nos seus medos.
Isto é algo que não é passível de ser controlado, pelo menos não com facilidade, pois ao pensarmos que não queremos pensar nisto, estamos automaticamente a fazer o inverso e o pensamento inicial, ao invés de se afastar, intensifica-se.
Pois bem, a consciência que consigo ter é de que analiso a informação à medida que me é transmitida, mas nem sempre consigo esperar que seja transmitida na totalidade antes de começar a processá-la. Ou seja, no início da ideia que me querem transmitir, automaticamente os meus pensamentos são despoletados analisando, interpretando e mesmo extrapolando o que me está a ser dito, antes que a ideia inicial esteja completamente transmitida.
Isto causa, por vezes, algum ruído na comunicação, principalmente se o que me está a ser transmitido fôr realmente interessante. O que significa que, mais facilmente me distraio com algo que me causa interesse do que com algo que me pareça aborrecido.
É estranho, não é? E até pode parecer um grande disparate. A verdade é que sempre me pareceu impossível de defender tal tese, até ter sido defendida por quem percebe, realmente, do assunto. Falo de Augusto Cury, renomado psiquiatra brasileiro, autor de uma série de obras que retiveram a minha total e incondicional atenção.
Então, A.Cury defende:
“Somos todos viajantes no mundo das ideias: viajamos para o futuro, imaginando situações ainda inexistentes; viajamos também para os problemas existenciais. (…) Uns constroem projectos e outros, castelos inatingíveis. Uns viajam pouco nos seus pensamentos, outros viajam muito, concentram-se pouco nas suas tarefas. Estas pessoas pensam que têm pouca memória, mas, na verdade, possuem apenas pouca capacidade de concentração devido à hiperprodução de pensamentos.”
Pois é, tenho aqui justificação científica para escrever, escrever, escrever tudo o que me ocupa a alma, o pensamento, a razão.